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A simplicidade e a montanha: um diálogo entre José e Jesus


Espírito da Verdade, 2025.



Sentados à beira do rio, Jesus, ainda muito criança, contando nove anos de

idade, atirava pedras na água no intuito de fazê-las chegar na outra margem. Disputava

com José quem, com um só arremesso, atingia o ponto mais longínquo das águas.

Em uma das jogadas, a pedra bateu três vezes na água e passou do meio. Jesus,

boquiaberto, disse a José: “Pai, você é espetacular. Eu te admiro tanto!”. José sorriu e

perguntou à Jesus: “Filho amado, por que me escolheu como seu pai?”.

Jesus: “Eu o escolhi porque sabia que o Senhor teria tantas qualidades fossem

necessárias para que me manter dentro dos desígnios de Nosso Pai”.

José sorriu mais uma vez e insistiu: “Por que Deus me escolheu?”.

“Pai, você é bem-aventurado. O Senhor é aflito. Aflito por si, por sua família,

por mim. Pelo hoje, pelo ontem. E exatamente essa qualidade faz de ti um bem-amado

filho de Nosso Pai. Ele dará toda a consolação necessária. Ele cessará todos os

problemas diários. Pai, não é a tua condição que te faz ser assim, é você mesmo. São

tuas experiências passadas. Tuas vivências do hoje. Tua inteligência infinita torna o

melhor pai que eu poderia ter nesta passagem. Amo-te, José!”.

José emocionadíssimo, segura os olhos. Cerra-os para que não uma lágrima

caísse naquele momento. Ele questionava a si: “Como pode uma criança ter tanta

consciência de si, de mim, de nossa família, de Deus?”.

Naquele cenário, muito distante à quilômetros da margem oposta do rio, havia

uma montanha. Sua distância era tão grande que os olhos a viam em um horizonte que a

tornava pequeníssima.

“- Jesus, sabe que sou passageiro. Minha vida talvez não atinja o outro lado

da montanha, filho. Você, sim, atingirá a montanha e ultrapassará para o outro lado”.

“- Pai, o Senhor também chegará d’outro lado do rio e ultrapassará aquela

Montanha. Imaginemos que Deus esteja sentado nesta margem. E nós somos as

tentativas de chegar ao outro lado – o lado da graça, da vitória, da conquista íntima-

pessoal. Deus nunca desiste. Sempre insiste e, a cada tentativa, Ele comemora. Se

afundamos, ele insiste; se chegamos mais próximo da margem, ele comemora; se

chegamos d’outro lado, ele grita. Um grito de amor. Um grito de felicidade. Um grito

que todos nós esperamos escutar. Por isso, pai, peça sempre: ‘Deus não desista de mim,

eu te aguardo d’outro lado para, juntos, gritamos’. Além disto, não são tuas

dificuldades, José, que o tornaram menos merecedor de chegar àquela montanha. O teu

lugar está garantido. O teu lugar como pai de Jesus. O teu lugar como Espírito

evoluído que é, que não desistiu, que experimentou a bem-aventurança”.

José nem tinha o que responder ao filho e continuou jogando as pedras com o

intuito de chegar até o outro lado da margem. E, numa das jogadas, conseguiram. Sem

perceber, José e Jesus gritaram juntos: “Vencemos”.

Abraçando Jesus, José o beija não aguentando mais segurar as lágrimas, José

pega Jesus no colo e volta para casa, até Maria, pois, com o passar das horas, o sol da

manhã já se transformava no sol do meio-dia.



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