A ÚLTIMA CEIA
- Bons Espiritas - Grupo de Estudos Manoel dos Ramos

- 17 de abr. de 2025
- 8 min de leitura
Alfredo de Seichelles, 8 de abril de 2025
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Era início de mais uma semana pascoal quando Jesus entrou em Jerusalém, triunfante,
em um jumento, bastante ciente de que seria os últimos momentos da vida corpórea. A
magnitude de Jesus permitia com que Ele soubesse tudo o quanto estava contratado com Deus e,
a cada centímetro próximo da entrada jerosolimita, uma gota a mais inundava Seus olhos.
A recepção daquele povo, com ramos de palmeiras, cânticos e amor retirou ainda mais
lágrimas porque era a demonstração de que o mau exercício das Escrituras e ignorância das Leis
de Deus, em muitos, foi apagada pela presença Dele, restaurando, condição primária de todos os
Espíritos: a busca incessante da Evolução.
Pedro caminhava ao lado do jumento e frequentemente olhava para o Mestre. Era nítida
a emoção de Jesus, motivo pelo qual o Apóstolo perguntou-lhe se Ele estava bem. A resposta
deixou-o o confuso e, apesar de não compreender os ditos, respeitou e seguiu: “Um homem que
cumpre aquilo que assumiu está em paz eterna, querido Pedro”.
Após o clamor social de enorme receptividade, Jesus e os apóstolos direcionaram-se
para o templo e, depois, para casas de pessoas que o convidavam a pousar e descansar para o dia
seguinte.
Logo no amanhecer posterior, Jesus ordenou que Pedro e João aprontassem os
preparativos para a Última Ceia, o que aceitaram e cumpriram com muito orgulho, pontualidade
e escolheram item a item para a passagem da Páscoa.
Para aquela comemoração, que seria o último encontro encarnado com todos os
Apóstolos, o Cristo escolheu uma sala ampla, dentro do cenáculo localizado no Monte Sião, que
fazia uso de vários candelabros, castiçais e janelas amplas que podiam fazê-los enxergar as
várias estrelas no Céus.
Ensina-nos a Espiritualidade que as Estrelas eram, em verdade, Espíritos-Irmãos de
outras orbes que se fizeram presentes para a Última Ceia para acompanhar as últimas horas do
Governador deste orbe enquanto encarnado, dando-lhe energia para suportar tudo o que Eles
sabiam que seria praticado contra Jesus.
Das pessoas que o receberam na entrada de Jerusalém, muitos queriam e se ofereceram
para estar com Ele na passagem da Páscoa. Todos, entretanto, receberam a seguinte resposta: “É
chegado a hora de colocar o primeiro pé na ponte da fraternidade. Já sou aguardado pelos
Meus amados coirmãos. Aqueles que em carne Comigo conviveram, em Espírito me
abraçarão”.
Os apóstolos ouviam as falas do Cristo e, outra vez, não entendiam o que Ele explicava
porque durante as reuniões, peregrinações e parábolas Jesus sempre afirmou que o mundo Dele
era o Reino dos Céus, porém, nunca disse aos discípulos que a passagem seria curta, razão pela
qual nenhum deles refletiu ou pontuou a rapidez da passagem encarnada do Filho Querido do
Pai.
Chegada à noite, todos chegaram ao local escolhido e Jesus permaneceu do lado de fora
da sala para abraçar, um a um, todos os Apóstolos antes destes adentrarem. O abraço mais longo
e firme, ensina a Espiritualidade, foi a de Judas, demonstrando que Jesus já tinha plena
consciência, por meio de sua mediunidade, das condutas e escolhas do Apóstolo Iscariotes.
Entrando no ambiente, todos esperaram em pé as ordens de Cristo que os mandou sentar
seis à esquerda e outros seis à direita da mesa ovalada principal.
Sentados, Jesus iniciou uma oração: “Deus presente e eterno, esteja conosco nesta
mesa, permitindo-nos sentir sua companhia e seu amor. Entregamos ao Senhor o nosso
alimento corpóreo e incorpóreo. A sucumbência do corpo físico aproxima-se e o Espírito se
libertará para Contigo viver. Receba-o com Sua Misericórdia e Seu eterno amor, paciência e
sabedoria”.
Terminando, emendou o “Pai Nosso” e finalizou ensinando uma de suas poesias
meditativas para os Apóstolos, que a repetiram três vezes – mais tarde, a oração tornou-se a
“Ave Maria”. Ao final, permitiu o início da Ceia
Os apóstolos, afobados, entregaram-se ao saciamento da fome. Conversavam, riam,
bebiam. Jesus, opostamente, manteve-se calado durante todo o encontro, enquanto comia, bebia
e observava cada um dos Chamados.
João, atento ao silêncio incomum, porque, comumente, Jesus estaria a ensiná-los por
meio de parábolas, pergunta: “O Senhor está bem? Está com fome? Quer partilhar o meu
alimento?”.
A resposta foi apenas uma negativa Dele.
Aquela ceia, composta por vários pães ázimos, suficientes aos Apóstolos e para
doações, e de quatro jarras grande de vinho, só foi possível pelas várias doações recebidas na
entrada de Jerusalém. Judas foi o responsável por receber os denários, guardando-os para,
depois, pedir a Jesus orientação sobre como proceder.
Com denários suficientes a vários meses, Judas questiona Cristo: “Mestre, devo doar
tudo o que recebemos?”.
“Desta vez, entregue o dinheiro para que Pedro e João preparem a nossa ceia. Tenho
certeza de que sobrará moedas, que, transformados em alimentos, doaremos a quem precisar
ao final da ceia e você quem ficará responsável por distribuir essas e as demais bençãos de
nosso encontro”, respondeu Jesus.
Acatando a orientação, Judas entregou todos os denários a Pedro e João, ambos já
cientes da ordem do Cristo.
Dado momento da ceia, Jesus chama a atenção para si e diz em pé: “Tomem o vinho.
Comam o pão. Tudo vem de Deus, deem todos graça ao que nos é dado”. Enquanto fazia a
repartição manual dos pães e do vinho, complementou que um dos sentados àquela mesa o
trairia.
Tomé duvidoso: “O Senhor tem certeza disto Mestre?”.
Filipe indignado: “Quem de nós faria isto?”.
André receoso: “Fui eu quem te traí, Senhor?”.
Pedro raivoso: “Como pode um de nós ser um traidor? O Senhor nos escolheu a ordem
e mando de Deus. Seja quem for o traidor, pegaremos em espadas e o defenderemos”, com o
que concordou Tiago Maior, Tiago Menor e André.
João choroso com a notícia: “Meu Pai, como Deus permitiria que o Senhor sofra
tamanha traição, e porque Ele não atua de maneira punitiva para intervir?”.
Sem ao menos terminar a frase, João é repreendido por Jesus: “Meu filho e Irmão João,
é chegado os Novos Tempos, não existe um Deus punitivo e não existe um Deus que aceita
armas e morte para a defesa da Religião, da Caridade e Amor ao próximo, Irmão Pedro.
Estejam certos de que eu escolhi o meu futuro e nele, eu os acompanho em Espírito e vocês
exercerão os vossos chamados”.
Complementa em seguida: “E você Pedro, que brada pelas espadas, negará o
Apostolado e a convivência comigo por três vezes”. Pedro pensou em contrariar, mas, sabia que
Jesus tinha a capacidade mediúnica de ver mundos até então inexistentes.
Ele ainda complementa: “Meus Filhos e Meus Irmãos fiquem tranquilos. Eu cumpri a
Minha Missão. Eu lhes passei o Manual da Boa Conduta Cristã: Amem a si mesmos, assim
como eu os amei, mas não se esqueçam de amar os seus inimigos; os seus vizinhos; os seus
familiares; os seus animais; o meio ambiente; amar a todos, e todas as criaturas do Meu Pai.
Pratiquem o bem, o bom; exerçam a caridade; doem-se em tempo, amor e patrimônio;
multipliquem tudo aquilo que viram, ouviram e aprenderam. Sejam aves da alvorada”.
Jesus, ainda em pé, passa a caminhar para outro canto da sala para que pudesse pegar
uma bacia e uma jarra de água que Ele havia organizado para a finalidade de lavar os pés dos
Apóstolos. Ele, então, despoja-se de seu manto, pega uma toalha escolhida para essa finalidade,
senta-se no chão e chama, um a um, na ordem de aceitação do apostolado, para o ato.
Pedro recusa a se levantar e diz: “Somos nós quem devemos lavar Seus pés, Mestre! Eu
me recuso de tamanha arrogância” e Jesus, sorrindo, responde-lhe: “Eu não devo ser servido.
Eu devo servir. Servir de exemplo, de caminho. Não Sou o fim da ponte, Sou a própria ponte.
Sejam os lavadores de pés. Lavem os silenciados, os injustiçados, os pobres, os doentes, os
descrentes, os limpos, os sujos. Façam isto em Meu nome”.
O Cristo lava todos os pés com ternura, silenciosamente e os seca com a toalha.
Enquanto lavava os pés de Mateus, o discípulo mostrava-se inquieto, triste e secava os
olhos. Jesus, olhando de baixo para cima, pergunta-lhe: “O que te aflige, Levi?”.
Mateus: “A sua morte, Senhor. Eu não imaginava que me deixaria. Eu já me sinto
sozinho”.
Jesus: “Você esteve comigo em tantos ensinamentos, Levi. Eu sempre estarei contigo,
como sempre estive e sempre estarei. A morte é apenas o descanso do corpo físico para que o
Espírito viaje pelas Moradas. Não é uma despedida se vamos nos reencontrar e aguardarei por
você ao transpor a ponte”.
Mateus: “Perdoe-me, Mestre!”.
Jesus seca os pés de Mateus, seca as próprias mãos, levanta-se, amarra a toalha em si
como se fosse um avental e segurando o rosto de Mateus, beija-o na face, seca as lágrimas do
discípulo e lhe afirma: “Não peça perdão por amar-me, porém, ame, acima de tudo, o Nosso
Pai e os ensinamentos Dele. Levante-se e cumpra o teu chamado!”.
Mateus: “Eu o amo tanto”. Jesus, ainda segurando o rosto dele, finaliza: “Eu o amo
desde antes de Levi e para o depois de Mateus”.
Sentando-se novamente à mesa, Jesus pede para que os discípulos se separem e
busquem refúgio pelos próximos três dias, preferencialmente longe de Jerusalém. “Vão em paz.
Eu voltarei àqueles que em Mim acreditarem em Espírito”.
Finalizada a ceia, ainda assustados, os Apóstolos abraçaram Jesus, beijaram-lhe o rosto,
despediram-se Dele e uns dos outros, seguindo cada um o próprio caminho, com exceção de
Pedro, João, Mateus e Tiago, os quais se negavam a abandonar Cristo no martírio da morte.
Passaram a noite com Ele.
E o sol que logo chegara anunciava não só um novo dia como, e principalmente, a
morte de Jesus que, acordando cedo, chamou pelos Apóstolos e, juntos, caminharam até Jardim
do Getsêmani, onde Jesus pediu para que ficasse algum tempo sozinho para conversar com
Deus.
Os discípulos sentaram-se juntos e conversavam entre si acerca dos últimos
ensinamentos, ainda tentando compreender a dimensão das palavras de Jesus.
Distantes, olhavam o Mestre meditando.
O silêncio do local era ensurdecedor até a chegada de quatro romanos em cavalos
imperiais. No cavalo da frente estava Judas sentado com um soldado.
Astuto, Pedro identificou quem havia traído Jesus, correu para perto Dele gritando:
“Judas, traidor! Jesus fique atrás de mim, ninguém o levará!”. Os demais discípulos ficaram ao
lado de Pedro em uma espécie de corrente corpórea na tentativa de proteger o Mentor de quatro
soldados armados fortemente.
Jesus, calmo, pede para que os quatro deixem suas posições e fiquem atrás Dele, porque
nada que fizessem poderiam mudar o rumo daquilo que já foi sentenciado.
Os soldados param em frente ao grupo, Judas desce, caminha até Jesus, beija-lhe o
rosto. Nesse momento, Jesus lhe diz: “Judas, eu o amo. Exerceu o teu livre-arbítrio, assuma sua
responsabilidade e não o inverso”. A frase fulmina em Judas toda sombra existente nele e o faz
chorar imaturamente.
Em seguida, Jesus olha para os apóstolos e os manda embora.
“Vão, protejam-se!”, disse Jesus.
“João, você está incumbido de cuidar do Meu maior bem; a Mulher de Luz, que me deu
à Luz; a que foi escolhida e aceitou o chamado; a mulher que fazia as melhores Tortas de
Maçã, e que nunca negou um ombro amigo e um colo! Portanto, é a ti filho do trovão, que dou
o meu Céu!”. João incrédulo com o tamanho da função, retrucou: “Não é a Pedro a quem o
Senhor deveria dar essa Missão?”
“É de Minha vontade e de Meu Pai!”, encerra Jesus.
Pedro segurando as mãos de João e chamando pelos outros, saem correndo para fora do
jardim para que não fossem presos com Jesus que, ali, sozinho, foi acorrentado pelas mãos,
sendo guiado pelos soldados romanos.
De cavalos e Jesus caminhando em pé, os soldados os levaram até o Palácio de Herodes
e, depois, até Pôncio Pilatos para um julgamento sem direito de defesa, sem o devido processo
legal e mediante sessões de tortura, cuja sentença estava, antes do ato, certa de resultado: a
condenação à morte por crucificação.
Colaboraram para a realização desta Carta os Espíritos Irmãos em Cristo: Orador, Ezequiel,
Salomão, Isaac, Isabel, Jeremias, Matias, Onofre, Isaias, Samuel, Manoel dos Ramos, Elvira,
Gumercindo, Guilhermino, Tomás, Dendeu, Sebastião, Tarcísio, Malaquias, Ali, Alfredo de
Seichelles, Tadeu, Nicodemus, Nicolaus, León, Salatiel, Uriel e tantos que sequer
apresentaram-se, mas estavam presentes durante as escritas





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