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A ÚLTIMA CEIA


Alfredo de Seichelles, 8 de abril de 2025

.

Era início de mais uma semana pascoal quando Jesus entrou em Jerusalém, triunfante,

em um jumento, bastante ciente de que seria os últimos momentos da vida corpórea. A

magnitude de Jesus permitia com que Ele soubesse tudo o quanto estava contratado com Deus e,

a cada centímetro próximo da entrada jerosolimita, uma gota a mais inundava Seus olhos.

A recepção daquele povo, com ramos de palmeiras, cânticos e amor retirou ainda mais

lágrimas porque era a demonstração de que o mau exercício das Escrituras e ignorância das Leis

de Deus, em muitos, foi apagada pela presença Dele, restaurando, condição primária de todos os

Espíritos: a busca incessante da Evolução.

Pedro caminhava ao lado do jumento e frequentemente olhava para o Mestre. Era nítida

a emoção de Jesus, motivo pelo qual o Apóstolo perguntou-lhe se Ele estava bem. A resposta

deixou-o o confuso e, apesar de não compreender os ditos, respeitou e seguiu: “Um homem que

cumpre aquilo que assumiu está em paz eterna, querido Pedro”.

Após o clamor social de enorme receptividade, Jesus e os apóstolos direcionaram-se

para o templo e, depois, para casas de pessoas que o convidavam a pousar e descansar para o dia

seguinte.

Logo no amanhecer posterior, Jesus ordenou que Pedro e João aprontassem os

preparativos para a Última Ceia, o que aceitaram e cumpriram com muito orgulho, pontualidade

e escolheram item a item para a passagem da Páscoa.

Para aquela comemoração, que seria o último encontro encarnado com todos os

Apóstolos, o Cristo escolheu uma sala ampla, dentro do cenáculo localizado no Monte Sião, que

fazia uso de vários candelabros, castiçais e janelas amplas que podiam fazê-los enxergar as

várias estrelas no Céus.

Ensina-nos a Espiritualidade que as Estrelas eram, em verdade, Espíritos-Irmãos de

outras orbes que se fizeram presentes para a Última Ceia para acompanhar as últimas horas do

Governador deste orbe enquanto encarnado, dando-lhe energia para suportar tudo o que Eles

sabiam que seria praticado contra Jesus.

Das pessoas que o receberam na entrada de Jerusalém, muitos queriam e se ofereceram

para estar com Ele na passagem da Páscoa. Todos, entretanto, receberam a seguinte resposta: “É

chegado a hora de colocar o primeiro pé na ponte da fraternidade. Já sou aguardado pelos

Meus amados coirmãos. Aqueles que em carne Comigo conviveram, em Espírito me

abraçarão”.

Os apóstolos ouviam as falas do Cristo e, outra vez, não entendiam o que Ele explicava

porque durante as reuniões, peregrinações e parábolas Jesus sempre afirmou que o mundo Dele

era o Reino dos Céus, porém, nunca disse aos discípulos que a passagem seria curta, razão pela

qual nenhum deles refletiu ou pontuou a rapidez da passagem encarnada do Filho Querido do

Pai.

Chegada à noite, todos chegaram ao local escolhido e Jesus permaneceu do lado de fora

da sala para abraçar, um a um, todos os Apóstolos antes destes adentrarem. O abraço mais longo

e firme, ensina a Espiritualidade, foi a de Judas, demonstrando que Jesus já tinha plena

consciência, por meio de sua mediunidade, das condutas e escolhas do Apóstolo Iscariotes.

Entrando no ambiente, todos esperaram em pé as ordens de Cristo que os mandou sentar

seis à esquerda e outros seis à direita da mesa ovalada principal.

Sentados, Jesus iniciou uma oração: “Deus presente e eterno, esteja conosco nesta

mesa, permitindo-nos sentir sua companhia e seu amor. Entregamos ao Senhor o nosso

alimento corpóreo e incorpóreo. A sucumbência do corpo físico aproxima-se e o Espírito se

libertará para Contigo viver. Receba-o com Sua Misericórdia e Seu eterno amor, paciência e

sabedoria”.

Terminando, emendou o “Pai Nosso” e finalizou ensinando uma de suas poesias

meditativas para os Apóstolos, que a repetiram três vezes – mais tarde, a oração tornou-se a

“Ave Maria”. Ao final, permitiu o início da Ceia

Os apóstolos, afobados, entregaram-se ao saciamento da fome. Conversavam, riam,

bebiam. Jesus, opostamente, manteve-se calado durante todo o encontro, enquanto comia, bebia

e observava cada um dos Chamados.

João, atento ao silêncio incomum, porque, comumente, Jesus estaria a ensiná-los por

meio de parábolas, pergunta: “O Senhor está bem? Está com fome? Quer partilhar o meu

alimento?”.

A resposta foi apenas uma negativa Dele.

Aquela ceia, composta por vários pães ázimos, suficientes aos Apóstolos e para

doações, e de quatro jarras grande de vinho, só foi possível pelas várias doações recebidas na

entrada de Jerusalém. Judas foi o responsável por receber os denários, guardando-os para,

depois, pedir a Jesus orientação sobre como proceder.

Com denários suficientes a vários meses, Judas questiona Cristo: “Mestre, devo doar

tudo o que recebemos?”.

“Desta vez, entregue o dinheiro para que Pedro e João preparem a nossa ceia. Tenho

certeza de que sobrará moedas, que, transformados em alimentos, doaremos a quem precisar

ao final da ceia e você quem ficará responsável por distribuir essas e as demais bençãos de

nosso encontro”, respondeu Jesus.

Acatando a orientação, Judas entregou todos os denários a Pedro e João, ambos já

cientes da ordem do Cristo.

Dado momento da ceia, Jesus chama a atenção para si e diz em pé: “Tomem o vinho.

Comam o pão. Tudo vem de Deus, deem todos graça ao que nos é dado”. Enquanto fazia a

repartição manual dos pães e do vinho, complementou que um dos sentados àquela mesa o

trairia.

Tomé duvidoso: “O Senhor tem certeza disto Mestre?”.

Filipe indignado: “Quem de nós faria isto?”.

André receoso: “Fui eu quem te traí, Senhor?”.

Pedro raivoso: “Como pode um de nós ser um traidor? O Senhor nos escolheu a ordem

e mando de Deus. Seja quem for o traidor, pegaremos em espadas e o defenderemos”, com o

que concordou Tiago Maior, Tiago Menor e André.

João choroso com a notícia: “Meu Pai, como Deus permitiria que o Senhor sofra

tamanha traição, e porque Ele não atua de maneira punitiva para intervir?”.

Sem ao menos terminar a frase, João é repreendido por Jesus: “Meu filho e Irmão João,

é chegado os Novos Tempos, não existe um Deus punitivo e não existe um Deus que aceita

armas e morte para a defesa da Religião, da Caridade e Amor ao próximo, Irmão Pedro.

Estejam certos de que eu escolhi o meu futuro e nele, eu os acompanho em Espírito e vocês

exercerão os vossos chamados”.

Complementa em seguida: “E você Pedro, que brada pelas espadas, negará o

Apostolado e a convivência comigo por três vezes”. Pedro pensou em contrariar, mas, sabia que

Jesus tinha a capacidade mediúnica de ver mundos até então inexistentes.

Ele ainda complementa: “Meus Filhos e Meus Irmãos fiquem tranquilos. Eu cumpri a

Minha Missão. Eu lhes passei o Manual da Boa Conduta Cristã: Amem a si mesmos, assim

como eu os amei, mas não se esqueçam de amar os seus inimigos; os seus vizinhos; os seus

familiares; os seus animais; o meio ambiente; amar a todos, e todas as criaturas do Meu Pai.

Pratiquem o bem, o bom; exerçam a caridade; doem-se em tempo, amor e patrimônio;

multipliquem tudo aquilo que viram, ouviram e aprenderam. Sejam aves da alvorada”.

Jesus, ainda em pé, passa a caminhar para outro canto da sala para que pudesse pegar

uma bacia e uma jarra de água que Ele havia organizado para a finalidade de lavar os pés dos

Apóstolos. Ele, então, despoja-se de seu manto, pega uma toalha escolhida para essa finalidade,

senta-se no chão e chama, um a um, na ordem de aceitação do apostolado, para o ato.

Pedro recusa a se levantar e diz: “Somos nós quem devemos lavar Seus pés, Mestre! Eu

me recuso de tamanha arrogância” e Jesus, sorrindo, responde-lhe: “Eu não devo ser servido.

Eu devo servir. Servir de exemplo, de caminho. Não Sou o fim da ponte, Sou a própria ponte.

Sejam os lavadores de pés. Lavem os silenciados, os injustiçados, os pobres, os doentes, os

descrentes, os limpos, os sujos. Façam isto em Meu nome”.

O Cristo lava todos os pés com ternura, silenciosamente e os seca com a toalha.

Enquanto lavava os pés de Mateus, o discípulo mostrava-se inquieto, triste e secava os

olhos. Jesus, olhando de baixo para cima, pergunta-lhe: “O que te aflige, Levi?”.

Mateus: “A sua morte, Senhor. Eu não imaginava que me deixaria. Eu já me sinto

sozinho”.

Jesus: “Você esteve comigo em tantos ensinamentos, Levi. Eu sempre estarei contigo,

como sempre estive e sempre estarei. A morte é apenas o descanso do corpo físico para que o

Espírito viaje pelas Moradas. Não é uma despedida se vamos nos reencontrar e aguardarei por

você ao transpor a ponte”.

Mateus: “Perdoe-me, Mestre!”.

Jesus seca os pés de Mateus, seca as próprias mãos, levanta-se, amarra a toalha em si

como se fosse um avental e segurando o rosto de Mateus, beija-o na face, seca as lágrimas do

discípulo e lhe afirma: “Não peça perdão por amar-me, porém, ame, acima de tudo, o Nosso

Pai e os ensinamentos Dele. Levante-se e cumpra o teu chamado!”.

Mateus: “Eu o amo tanto”. Jesus, ainda segurando o rosto dele, finaliza: “Eu o amo

desde antes de Levi e para o depois de Mateus”.

Sentando-se novamente à mesa, Jesus pede para que os discípulos se separem e

busquem refúgio pelos próximos três dias, preferencialmente longe de Jerusalém. “Vão em paz.

Eu voltarei àqueles que em Mim acreditarem em Espírito”.

Finalizada a ceia, ainda assustados, os Apóstolos abraçaram Jesus, beijaram-lhe o rosto,

despediram-se Dele e uns dos outros, seguindo cada um o próprio caminho, com exceção de

Pedro, João, Mateus e Tiago, os quais se negavam a abandonar Cristo no martírio da morte.

Passaram a noite com Ele.

E o sol que logo chegara anunciava não só um novo dia como, e principalmente, a

morte de Jesus que, acordando cedo, chamou pelos Apóstolos e, juntos, caminharam até Jardim

do Getsêmani, onde Jesus pediu para que ficasse algum tempo sozinho para conversar com

Deus.

Os discípulos sentaram-se juntos e conversavam entre si acerca dos últimos

ensinamentos, ainda tentando compreender a dimensão das palavras de Jesus.

Distantes, olhavam o Mestre meditando.

O silêncio do local era ensurdecedor até a chegada de quatro romanos em cavalos

imperiais. No cavalo da frente estava Judas sentado com um soldado.

Astuto, Pedro identificou quem havia traído Jesus, correu para perto Dele gritando:

“Judas, traidor! Jesus fique atrás de mim, ninguém o levará!”. Os demais discípulos ficaram ao

lado de Pedro em uma espécie de corrente corpórea na tentativa de proteger o Mentor de quatro

soldados armados fortemente.

Jesus, calmo, pede para que os quatro deixem suas posições e fiquem atrás Dele, porque

nada que fizessem poderiam mudar o rumo daquilo que já foi sentenciado.

Os soldados param em frente ao grupo, Judas desce, caminha até Jesus, beija-lhe o

rosto. Nesse momento, Jesus lhe diz: “Judas, eu o amo. Exerceu o teu livre-arbítrio, assuma sua

responsabilidade e não o inverso”. A frase fulmina em Judas toda sombra existente nele e o faz

chorar imaturamente.

Em seguida, Jesus olha para os apóstolos e os manda embora.

“Vão, protejam-se!”, disse Jesus.

“João, você está incumbido de cuidar do Meu maior bem; a Mulher de Luz, que me deu

à Luz; a que foi escolhida e aceitou o chamado; a mulher que fazia as melhores Tortas de

Maçã, e que nunca negou um ombro amigo e um colo! Portanto, é a ti filho do trovão, que dou

o meu Céu!”. João incrédulo com o tamanho da função, retrucou: “Não é a Pedro a quem o

Senhor deveria dar essa Missão?”

“É de Minha vontade e de Meu Pai!”, encerra Jesus.

Pedro segurando as mãos de João e chamando pelos outros, saem correndo para fora do

jardim para que não fossem presos com Jesus que, ali, sozinho, foi acorrentado pelas mãos,

sendo guiado pelos soldados romanos.

De cavalos e Jesus caminhando em pé, os soldados os levaram até o Palácio de Herodes

e, depois, até Pôncio Pilatos para um julgamento sem direito de defesa, sem o devido processo

legal e mediante sessões de tortura, cuja sentença estava, antes do ato, certa de resultado: a

condenação à morte por crucificação.


Colaboraram para a realização desta Carta os Espíritos Irmãos em Cristo: Orador, Ezequiel,

Salomão, Isaac, Isabel, Jeremias, Matias, Onofre, Isaias, Samuel, Manoel dos Ramos, Elvira,

Gumercindo, Guilhermino, Tomás, Dendeu, Sebastião, Tarcísio, Malaquias, Ali, Alfredo de

Seichelles, Tadeu, Nicodemus, Nicolaus, León, Salatiel, Uriel e tantos que sequer

apresentaram-se, mas estavam presentes durante as escritas




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