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CARTA AOS BONS ESPÍRITAS



Isaac, o Espírito da Sabedoria.

Franca/SP, 2024.


Dentre as várias moradas do Pai está localizada em um plano superior e supremo, a cidade celestial em que estão Jesus, Apóstolos, Profetas, Anjos, Maria e tantos outros Espíritos evoluídos.

No centro da cidade, existe um prédio, cercado de extensas janelas, que se uniam umas às outras, dando a sensação de todo o andar ser uma grande janela para o exterior e de infinitude. Localizado no térreo dessa edificação, há diversos espécimes de vegetações que, sem qualquer comparativo de imaginação ou entendimento nesse grau de vivência, em plena simbiose entre a obra construída e a natureza, tornam o prédio ainda mais perfeito e magnífico. 

É neste prédio em que são centralizadas a tomada de todas as decisões acerca do Espiritismo, da Humanidade e do funcionamento das várias galáxias, sendo frequentado por todos os Espíritos moradores, os convidados d’outras orbes e Irmãos merecedores.

No topo do prédio, está a sala de encontros, na qual se reuniram todos os Espíritos para o início do conclave espiritual, momento único na linha evolutiva em que Jesus convocou a presença de todos os Espíritos legionários, genesíacos e outros merecedores que alcançaram a elevação após vivências e experiências de provas e expiações em diversas oportunidades de reencarnação.

O cerne do encontro era debater e ajustar os rumos da evolução espiritual, em suas várias moradas, em todas as galáxias, sob o acompanhamento e supervisão de Deus.

Centralizada na sala, havia uma mesa ovalada, na qual se sentou Jesus, ao Norte, e Maria ao Sul. À direita de Jesus sentaram-se seis Apóstolos, iniciando-se por Pedro. À esquerda de Jesus sentaram-se os outros seis Apóstolos, iniciando-se por Judas. Ao centro, de um lado, seguindo-se à direita do Pai, os Profetas. Ao centro, do outro, seguindo-se à esquerda do Pai, os Anjos. Seguiram-se, cada qual de um lado da mesa, pela metade, os convidados d’outras orbes. Ao número par de Espíritos presentes, iniciou-se a reunião. 

Havia, ainda, acima da sala, uma LUZ radiante de luminosidade, positividade e emanando a inteligência e sabedoria aos Irmãos presentes. A LUZ fez-se presente durante toda a reunião e se faz presente em nossas vidas de maneira onipotente, onipresente e onisciente.

Sentando-se em seus lugares, o silêncio tomou a sala, momento em que Jesus pediu que fosse realizada uma prece de iniciação. Os Espíritos rezaram, individual e silenciosamente, esperando a finalização de cada uma das orações dos Irmãos presentes. Ao término do último, JESUS conduziu a prece universal, do que se percebia uma perfeita sintonia e perfeito entrosamento entre os Irmãos que, com firmeza, transformaram a oração em uma música aos ouvidos dos de bem.

Finalizadas as orações, Jesus, o intermediador primário, filho querido do Pai, quem ao filho atribuiu física e espiritualmente diversas demonstrações de amor aos encarnados e desencarnados, lembrou que o objetivo do conclave era, dentre tantos pontos, a mudança dos rumos da vida, a qual tem sido usufruída, pelos encarnados e pelos viventes d’outras orbes de maneira inadequada. 

Vivem-na como se fosse única, sem consequências, regada a uma série de vícios que impactam, não só e diretamente as linhas evolutivas pessoais, como também todas as moradas do Pai. 

Inclusive, traziam impactos n’outras galáxias, as quais estão cheias de Irmãos involuídos ou, pese serem significativamente evoluídos, já demonstram desinteresse recorrente de vir ajudar os aqui necessitados de afeto, acompanhamento e caridade, tendo em vista o desolador cenário de abandono das letras espirituais basilares do Espiritismo.

Interrompido por um Irmão convidado e representante d’outra orbe, Jesus cedeu a palavra a ele, que iniciou a exposição dizendo: “Jesus, entendemos as razões de mudança e concordamos com elas. Todavia, acreditamos que haja, atualmente, uma supremacia dos merecimentos diferente do que entendemos ser correto. Se eu pratico algo que mereça destaque em minha evolução divina, apenas a mim deverá importar esse merecimento. Não devo responder pela evolução do outro. Parece que eu prego o egoísmo, de certo ponto, a quem interpretar rasteiramente minhas palavras e considerações. Mas é preciso ser inteligente. A que eu respondo pela evolução do Irmão? Se eu pratico a caridade, o amor ao próximo e elevo todos os meus pensamentos e todas as minhas condutas a Ele com o objetivo de ajudar ao próximo, e ele, intimamente, não recebe a caridade, ou não a compreende; não recepciona o meu amor e não aceita o que eu emano a ele; que culpabilidade eu tenho? Deste modo, acreditamos que, hoje, haja uma desenfreada supremacia, incorreta e injusta, pela perspectiva da coletividade”.

Maria, respeitando o tempo de fala do Irmão, contribuiu em seguida: “Irmão, entendemos o seu ponto de vista. Porém, observamos que os Irmãos encarnados têm praticado a caridade e pregado as palavras de Deus com vistas exclusivas à própria evolução, sem se importar se o ato de benevolência, amor, carinho, afago, cuidado e respeito está sendo, verdadeiramente, empregado ao outro. Se o outro está recebendo as emanações positivas. Se o outro está compreendendo as razões de ser e estar naquela posição. Se o outro está compreendendo as razões da própria involução”.

“Não basta haver a conduta, é preciso haver o resultado”, completou Maria.

O Irmão rebateu: “O resultado a mim não pertence, como posso responder por ele?”. Os dizeres foram concordados pelos demais convidados.

Jesus, sorrindo, ponderou: “Irmãos, entendemos os motivos de suas falas e concordamos que a evolução individual não pode ser, exclusivamente, centralizada na conduta, na compreensão e no entendimento do outro, que, em certas ocasiões, estará muito atrasado na evolução ou não preparado para recepcionar tamanho amor e tamanha orientação. É certo, porém, que os Irmãos têm, como ressaltou Minha Mãe, praticado egoisticamente as lições da Espiritualidade objetivando apenas a sua prova, a sua expiação, o seu merecimento. Por esses motivos entendemos que a sociedade dos encarnados se perdeu em guerras familiares, laborais, bairristas e internacionais. Isso gerou afastamento, abandonos, corrupção, criação de muros, Casas de Fé perdidas naquilo que pregam e estudam. Precisamos, sim, e assim faremos, porque está de antemão aprovado a sugestão a mim trazida, que passaremos a analisar, no momento do fechar dos olhos, no desencarne, tudo o quanto praticado por você com vistas ao outro.”

Provocando a reflexão, Jesus continuou falando: “Você doou o pão ou a roupa para o outro comer e vestir ou porque isso te vangloriaria? Você come do pão que você doa? Você veste a roupa que doa? Ou você doa o pão mofado e a roupa andrajosa? Você doou a esmola financeira ao pedinte com o coração aberto ou o julgou, em seguida, pelos usos que faria dela? Você participou da política para realizar o bem comum àquela sociedade ou o fez por questões financeiras, políticas e usou do poderio que tinha em mãos para benefício pessoal e familiar? Você eleito fez uso das prerrogativas políticas em prol dos teus eleitores ou de todos? Você cuidou da raiz da árvore para aquela comunidade ter um meio ambiente saudável, ecologicamente correto e sustentável, ou fê-lo para divulgar a si aos outros por um ato inútil se não for cultivado? Você respeita o outro por sua crença e orientação sexual, ou, pregador do amor ao próximo, julga-o por ser diferente do que você acredita ser correto?”

A reflexão foi finalizada com a seguinte pergunta: “Muitos acreditam que o ato da benevolência é, por si só, suficiente, mas, e o outro, recebeu a benevolência? O amor ao próximo é para te elevar para o outro, porém outrem sentiu-se amado?”.

Já nesse ponto de reflexão, muitos Apóstolos olhavam-se com receio da repercussão nos convidados. Os Profetas discutiam entre si, enquanto os Anjos, calados, ficaram pensativos. Os convidados, que provocaram o debate, permaneceram calados e olhando objetivamente para o Jesus que, naquela ocasião, estava sentado. 

Finalizou Jesus dizendo: “Queremos, nessa reinterpretação do Espiritismo, resultados naquilo que se faz. Queremos que o livre-arbítrio seja praticado com Razão, mas sem perder a Emoção. Queremos que o outro, profundamente necessitado, receba sentindo-se agraciado e não julgado. O bem praticado ao outro sem vistas ao outro, não é um bem, é egoísmo nato. Queremos um senso de coletividade, sim, e assim será, porque, na ressignificação de conceitos e das lições, estamos conclamando os Bons-Espíritas. O Bom-Espírita é quem edifica o prédio pensando se o prédio não cairá e se o prédio abrigará o maior número possível de pessoas, e não em quanto o prédio lhe equivalerá contraprestação financeira. O Bom-Espírita é aquele que, olhando para si, enxerga a sociedade”.

O Irmão interrompeu e insistiu: “E se outro não aceitar? Quero dizer, a que se presta cumprir a minha prova, passar pela minha expiação, ter o merecimento consequente, se o outro não quiser ajuda? Lembremos que no portão celeste, o julgamento é pelas práticas individuais.”

Um grande murmúrio começou na sala. 

Havia concordância dos presentes, em partes, com a fala

“A que ponto a ignorância, a involução e o despreparo do outro pode afetar a evolução de outrem?”, ouviu-se de um dos convidados. 

Naquele momento, os Profetas agiram e chocaram os cajados contra o chão, cujo som ecoou em todas as moradas do Pai. Nesse momento, tantos os Espíritos de outras cidades espirituais, que estavam em prece recorrente, pararam, olharam aos Céus, e, imaginando o pior, intensificaram suas orações.  

O silêncio pairou na sala e em todos os planos espirituais. 

Os oradores passaram a fazê-lo em pensamento. 

Os presentes olhavam-se. Uns concordando, alguns outros não. 

Sereno, e ainda mantendo o sorriso em seu rosto, Jesus olhando para sua Mãe, que no lado oposto da mesa estava sentada, levantou-se e passou a andar pela sala, tocando os ombros de cada um dos Apóstolos, todos estes uníssonos nas ideias de seu Mestre.

Durante a caminhada, ressaltou que “o outro não impactará na sua evolução, Irmão. É você que impactará a dele. Buscar-se-á a elevação do bem e do bom. O que outrem está recebendo, por você, de bem e de bom?”.

Jesus continuou andando e tocando os ombros dos Profetas, quando afirmou: “A expiação e a prova serão individuais, mas para ascender aos Céus, é preciso haver o olhar comunitário. O contrato será individual sempre, mas, toda cláusula escrita, a qual, Irmãos, não nos esqueçamos, foi aceita antes da reencarnação, nas Casas de Acolhimento, será redigida com vistas ao resultado, à coletividade. Significará que o Bom-Espírita se dedicará à vizinhança, no bairro, nas cidades, nos Estados, no País e, juntos, por todos os Planetas”.

Ainda andando, Jesus circundando a mesa, apoiou-se nos ombros da Mãe, e acrescentou que “os irmãos ascendem aos Céus ignorantes. Chegam com orientações pessoais, individuais e religiosas. Enraizados em doutrinas materialistas. Imaginam que vida é única, não se importam com a vida que se reinicia com a morte. Acreditam haver uma dicotomia celestial – céu e inferno. Aceitar a divisão nesse sentido parece que o julgamento é uma pena, quando, na realidade, não é. Julga-se pelas consequências do exercício do livre-arbítrio. Não há como pena o chamado ‘inferno’. Disto já entendemos que os Irmãos praticam suas condutas achando que não vão para o ‘inferno’ se praticá-las, quando não deveriam pensar se vão, ou não, a um ou outro lugar, e, sim, se o Espírito que recebe aquele afago está, de fato, recebendo”.

Todos os Apóstolos, entusiasmados com as lições do Mestre, apoiaram-no.

Jesus, já no retorno da mesa, agora tocando os ombros dos Anjos, continuou falando: “o que fizeram, antes do fechar dos olhos, para o depois? Tudo isso nos faz concluir que devemos prepará-los para o chamamento. Gera-se um acúmulo de Espíritos próximos da entrada, mas que permanecem em fase de estágio, entre as moradas, que precisam entender a ressignificação e afastar a fortíssima negação preexistente. Isso precisa reverberar em outras doutrinas e em outros Espíritos. O senso de comunidade deve ser aplicado a todos, independentemente do batismo e da catequização, frequentador ou não, acreditando ou não. Não haverá doutrinação. Haverá amor. O Bom-Espírita precisará renascer com o senso de comunidade e, a partir disto, gerará a salvação de todos daquela coletividade e, a partir daí, aplicará os reflexos disto. Quero dizer, portanto, que o Bom-Espírita dialogará com todos. O amor e a caridade não têm distinção de sexo ou crença. O céu é, e sempre será, de todos! Todos que estejam preocupados com o outro, não consigo.”

O questionamento que, como uma lança atingia o ponto certeiro do alvo, fez todos os presentes, em unanimidade, aceitar a proposição, que ficou conhecida como Proposição Evangelista, tendo em vista que João, o Espírito dos Portões Celestiais, quem a sugeriu.

Estava aprovada a ressignificação com louvor.

Maria ponderou que as mudanças devem ser ao “outro” em sentido amplo, não apenas Espírito, mas em todo o meio em que ele está.

Um dos Profetas, o mais eminente deles, representando todos os Espíritos antigos que como ele profetizaram as escrituras no início, perguntou: “O quê quer a Senhora dizer com o ‘meio’ em que o Espírito está?”

Maria respondeu: “O Bom-Espírita não será apenas que cuida, afaga, ama e prática o bem ao outro Espírita ou Irmão d’outra religião. O Bom-Espírita cuida do meio ambiente, dos animais. Estuda e aperfeiçoa a tecnologia para o bem-estar social. O Bom-Espírita cuida de tudo e de todos, portanto”.

Jesus apenas movimentando a cabeça em sentido de concordância, chamando a palavra para si, deu como encerrada a proposição e, após uma sessão de minutos de aplausos e entusiasmo de todos, um novo debate se reinstalou: este será um Novo Espiritismo, Mestre?

Jesus sentando-se, respondeu: “Entendê-lo como ‘novo’ implica em concluir que há um ‘antigo’. E não queremos que haja essa distinção. Estamos repassando novas diretrizes. O Espiritismo mudará, sim, e este é um marco. Mas a mudança é consequência. Se cuidarmos da terra em que a Árvore está crescendo, não significa que nascerá uma nova Árvore, mas uma Árvore melhor. E essa Árvore melhor dará novos frutos, porém, a Árvore é a mesma, apenas o tratamento foi diferente”.

Quando questionado por um dos Apóstolos: “Mestre, vamos criar bons-espíritas”, respondeu: 

Ao inverso disto. 

Já há vários Bons-espíritas encarnados. Vamos cultivá-los para a propagação do bem. O bem verdadeiro. O bem comunitário. O bem ressignificado. Onde houver Luz, não haverá as Sombras. Onde se reunirem em Meu Nome, Eu estarei. Os Bons-Espíritas atrairão outros comungados ao bem e, onde se propagar o bem, estarão bons Espíritos ensinando a ressignificação. 

Começar-se-á em reuniões de grupos. Grupos atrairão outras pessoas, e assim se terá multidões. As multidões resultarão nas Casas de Fé e estas responderão por um número infinito de novos Bons-Espíritas.

 Haverá a reencarnação de Bons-Espíritas que terão a missão de propagar as boas-novas. 

Os médiuns já encarnados trabalharão os escritos para atingir pessoas que sequer tiveram acesso ao escritor, mas terão a oportunidade de ter ao escrito.

Esses escritos serão divulgados e, no meio do mundo, para representar que todas as Nações concorrerão para o bem, nascerá o codificador.  

O codificador não criará o “novo”, apenas juntará a Doutrina ressignificada.

As Casas de Fé precisarão adequar-se, reunir-se e atualizarem-se.

Os Espíritos-guardiões, em suas várias moradas, trabalharão as mudanças diariamente com seus tutelados, trabalhando a mudança no agir, pensar e falar.

Aos que brevemente encarnaram e encarnarem, haverá o cuidado de entender suas condutas e práticas individuais, mas buscando os merecimentos coletivos a que foi responsável de colaborar, direta ou indiretamente.

Devemos dedicar-nos aos Espíritas que, mesmo unidos em religião e entendimentos comuns da base da vida, da reencarnação e dos planos espirituais, ignorarão a mensagem e lutarão contra ela. 

Estes, sim, serão os piores ignorantes porque pregarão tudo ao inverso que as próprias convicções disciplinam – o respeito ao outro, o amor ao próximo, em especial. Cegos por linhas desatualizadas e, por vezes, em ídolos espirituais, atribuirão à ressignificação e resignificadores os mais diversos ataques. Ignorarão os fundamentos da própria doutrina para atacar a doutrina.

Será difícil trabalhar a mudança do escrito, eu reconheço. Será difícil reescrever linhas já presentes há anos e séculos em livros finalizados, acabados e assinados. Os caminhos, por vezes, levarão aos abismos. Mas é ao final da ponte que está o abraço da Fraternidade.

O caminho é duro, Irmãos. Mas a mudança é fundamental. 

Meus Irmãos, aceita a proposição, propaguem as boas-novas

Que assim seja.”

Aplaudido em pé por todos, a reunião continuou para outras proposições, mas, aos Bons-Espíritas, a mensagem está cravada nas pedras da eternidade. 

Sejamos Bons-Espíritas.


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