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Cura e tratamento

Atualizado: 8 de out. de 2025

Tadeu, 14/03/2025.

Jesus, acompanhado de outros sete apóstolos, peregrinava pelas aldeias e vilas locais pregando as escrituras, frequentando sinagogas, conversava com líderes religiosos, participava de eventos judaicos. Uma vida devota às escrituras e à aplicação dos ensinamentos de Moisés.

Era comum encontrar Jesus em locais altos, por vezes em pedras, em pé, falando para multidões de pessoas, explicando-lhes parábolas com verdadeiras lições de caridade, amor e exemplos da conduta moral. Por vezes, era convidado para, ao lado dos discípulos, comparecer em residências, cear, curar, debater, ensinar privativamente as escrituras.

Havia um brocardo conhecido entre o povo: “Quer encontrar Jesus? Procure pelos pobres!”, demonstrando que Jesus mais estava nas margens do que nos centros urbanos, onde, comumente, era frequentado pela elite, soldados e os líderes religiosos.

Certa vez, em Cafarnaum, quando Jesus e os apóstolos procuravam um local para descansar após longa peregrinação, uma mulher segurou o braço esquerdo de Jesus e perguntou em um tom de voz alto: “É o senhor o curandeiro de quem tanto falam?”.

Simão Pedro, sendo o mais velho entre os apóstolos, colocando-se em posição dianteira, direcionou o próprio corpo para proteger Jesus e as mãos para tirar a mulher de perto Dele, muito porque aquela espécie de questionamento era comum entre as pessoas que recusavam a autoridade espiritual-religiosa de Jesus, situação que poderia colocá-lo em perigo físico.

Jesus, porém, repreendeu-o dizendo: “Pedro, não a toque, eu não preciso de defensores”, percebendo Simão que Jesus sabia quem era a mulher e o motivo daquele contato rude.

Mateus, que sempre andava atrás dos apóstolos, assustado, disse bem baixinho e para si: “Ela o chamou de curandeiro, Mestre!”.

Em seguida, Ele voltou-se para a senhora e disse: “Eu sou o Caminho. Sou o leitor e o cumpridor dos livros das vidas. Sou bem-aventurado”. E respondeu a fala de Mateus: “ Sim, Mateus, ela me chamou de curandeiro. Alguns me chamarão de Messias, outros de Médico das Almas, outros de Profeta, outros de desrespeitador das Leis dos Reinos dos Céus. A mim não importa a forma pela qual me chamam, Mateus. Aqueles que me chamarem com verdade, serão atendidos”.

Mateus, com a cabeça, concordou e disse: “O chamado é a causa primária da libertação, Mestre”. André o corrigiu: “O chamado é a convocação do Espírito ao caminho da Verdade, Mateus”. Prontamente, Simão os interrompe e pede para prestarem atenção em Jesus.  

A senhora pediu perdão a Jesus pela grosseira firmeza com que pegou em Seu braço e com a forma pela qual direcionou a palavra a Ele, complementando: “Perdão, Jesus! Eu te chamei de curandeiro, mas, não encontrei outra palavra. Ouvi ser o Messias. Ouvi ser o profeta. Só quero que o Senhor me ajude!”. Jesus retruca: “Anastácia, eu atendo ao seu chamado. Fê-lo com o coração e sinceridade. Sei a razão pela qual me chamou. Leve-me até a sua casa”

Boquiaberta e chorosa, Anastácia ajoelha-se e diz: “Você é o Messias! Perdão, Jesus! Por todos os meus atos, especialmente os que tenho vergonha de lhe dizer. Perdão!”. Jesus segurando a mulher pelos braços, com o auxílio de Filipe, levanta-a e pede apenas que ela o leve para a sua residência, finalizando: “Anastácia, você precisa libertar os teus devedores, porque Eu te liberto das tuas dívidas. Siga!”.

Levantada, Anastácia compreende a mensagem, sente um peso ser retirado de si, seca o rosto e começa a caminhar em direção a sua casa, entre os becos e vielas, sendo acompanhada por Jesus, os apóstolos e alguns vários curiosos que viram todo o episódio e desejavam presenciar as atividades jesuítas.

Pedro ainda estava desconfiado, pois o caminho era muito mais longe do que imaginava, permanecendo em vigilância e supervisão para resguardar Jesus de uma possível emboscada.

Dado momento do trajeto, Jesus fala ao primeiro apóstolo: “Pedro, retira tantos pensamentos de preocupação e pensa que é justamente no local mais longe é que está mais perto de Mim”. Mateus tornou a concordar e acrescentou: “Jesus está sempre com os mais pobres”.  

Chegada na pequenina residência, Jesus notou um jovem deitado na cama, em estado que indicava estar ali por dias seguidos. Ao entrar, Jesus disse: “Jerônimo, apronta-se. É chegada a sua vez de ser chamado. Você foi escolhido.”

Outra vez a mulher ficou impressionada pelo acerto do nome de seu filho. Jerônimo, assustado por ter sido instado sem direcionar uma só palavra a Jesus, levantou-se rapidamente daquela posição, mas se manteve sentado na cama.

Àquela altura, uma aglomeração de pessoas estava do lado de fora da residência, ocupando-se os apóstolos de segurá-las para que não ingressassem na casa de Anastácia e respeitassem a atividade de Jesus. Pedro gritava: “Calma! Silêncio!”.

Tudo que Jesus dizia na casa, André repetia para a multidão. Filipe e Bartolomeu apoiavam Pedro no cuidado das pessoas. João Evangelista, seu irmão, o Tiago, e Mateus permaneceram atentos às lições do Mestre.

Jerônimo direciona a palavra para a mãe: “Mais um curandeiro você me trouxe mulher? Eu não aguentarei mais os rituais desses homens”.

Jesus pergunta: “O que sente menino? Por que não te levanta dessa cama? Diga-me para que eu possa ajudá-lo!”. Anastácia acrescenta: “Ele é o Messias, Jerônimo! Responde!”.

Jerônimo desdenha: “Se é o Messias por que pergunta a minha doença?”.

Jesus: “Se acredita que eu não seja o Messias, por que me desafia? Meu Pai ensinou-me que só se pode providenciar àqueles que gozarem do interesse de ajuda. Eu sei o que você precisa. Eu respeito o teu livre-arbítrio. Exercita-o com sabedoria e fé. Não se pode derrubar uma casa de tijolos com o sopro do vento. Mas, pode se derrubá-la com a sabedoria e a fé”.

Jerônimo responde, certo de que não se tratava de um curandeiro: “Sinto-me mais próximo da morte do que vida. Odeio meu pai. Odeio minha mãe. Odeio minha vida.”

Jesus senta-se ao lado do menino e lhe afirma: “Diga-me por que odeia tudo e a todos? Que mal pode a tua mãe e o teu pai fazer na tua evolução? Na tua vida?”.

O garoto, então, desabafa com Jesus: “Meu pai trabalha muito. Ele não participou de minha vida. Eu não tenho pai. Eu não preciso do dinheiro para sustentar-me, preciso dele. E minha mãe, julga e fala muito”

A mãe, depois de defender a si e o marido, foi interrompida por Jesus: “Jerônimo, entendo que muitos excessos causam doenças. O excesso do trabalho, do amor. Mas os excessos não são suficientes para interferir na evolução de outrem. Outrem precisa concorrer para a própria involução, responsabilizando terceiros por suas quedas; deixando de exercer o livre-arbítrio com sabedoria porque terceiros estão a prejudicá-lo. Restabeleça o leme do seu barco. O teu barco não pode ser dirigido por outro navegador. As ondas são difíceis, mas são essas as ondas que Meu Pai te servirá de suporte. E não nego que essas ondas, muitas vezes, vão causar buracos em seu barco. Quando isto ocorrer, procure os homens com os medicamentos. Aos buracos dos barcos, busque especialização. Às ondas da navegação, busque Deus.

Virando o rosto para Anastácia, Jesus diz: “Chega de excessos, mulher. O amor em excesso é violento; a omissão é, igualmente, violenta. Quem faz muito, sufoca o outro. Quem faz de menos, prejudica o outro. Quem prejudica o outro, prejudica a si mesmo. Pare de agir assim e orienta o teu marido!”.

André, direcionando as palavras para a multidão, causa silêncio porque os presentes acreditavam, a partir dos relatos de outras pessoas, que Jesus curava leprosos, doentes e deficientes físicos. E Mateus, ciente de que os murmúrios se espalhariam dali em diante, pergunta à Jesus: “O Senhor não curará Jerônimo?”.  

A lição do Cristo é: “Mateus, existem doenças do corpo e da alma que precisam ser tratadas, e não apenas curadas. Curar é rápido, imediato. Tratar é demorado, precisa ser vivenciado. Existem caminhos que precisam ser perseguidos e certas dificuldades serem sentidas para que o doente dê valor àquela prova e àquela expiação. Dar a alguns e não a outros passa pelo merecimento que se conquista nas várias oportunidades de viver. Não curar não significa que aquele doente não seja digno da cura. Não curar significa que ele próprio precisa curar-se e, para tanto, tratar-se, o que se conquista seguindo os caminhos pré-estabelecidos no plano espiritual, exercendo o próprio livre-arbítrio, não responsabilizando outros espíritos por suas quedas, cuidando da matéria e, principalmente, seguindo com rigor os ditados do Pai. A Providência será o apoio nas quedas e o abraço nas conquistas durante todo o trajeto. Vivenciar tudo isto é a maior prova de amor porque, aquele que vive disto, terá os resultados nos Céus”.

Mateus nada acrescentou, ficou muito pensativo e apenas aceitou a lição.

Foram vários os anos após a morte de Jesus, em seu Evangelho, que Mateus entendeu a profundidade daquilo que lhe foi ensinado. 

Jesus sabia disso, beijou-lhe a testa e finalizou: “Mateus, és o mais assíduo. Não te preocupa. Preocupa em exercer o que eu digo, depois em ensinar o que exerceu. Será um grande evangelista. O evangelista dos Persas e do povo árabe.”

Abraçando Jesus, um pouco admirado com o destino que Jesus lhe apontou, Mateus seguiu com o Mestre em meio àquele número grande de pessoas, enquanto os demais apóstolos iam abrindo espaços para que Jesus pudesse transitar. 

Eis mais um dos vários mistérios de Jesus.




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