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O chamamento de Bartolomeu - Eu aceito!

Atualizado: 8 de out. de 2025


Um Espírito Amigo, 16 de julho de 2025




Nos pouco mais de 30 anos de Jesus, o grupo apostólico crescia. Já havia cinco

escolhidos que aceitaram o chamamento - Pedro, André, João, Tiago Maior e Filipe. E

Jesus, em início da vida pública, ansiava pelo fechamento daqueles Deus indicara para o

início das pregações para as grandes multidões.

Recém-chegado ao grupo, entusiasmado com tudo que havia presenciado até

então, Filipe insistia frequentemente para que Jesus aumentasse o número de integrantes.

Diuturnamente, Jesus lhe respondia: “Calma Filipe. Todos já foram escolhidos.

Integrarão o grupo devido tempo do Pai”.

Não se contentando com a resposta, Filipe queria ajudar o Mestre na ampliação

do grupo porque estava maravilhado com tudo quanto foi permitido vivenciar. Reflexivo,

pensou em Bartolomeu, um amigo de velha data, quem logo procurou para fazer o

convite: -

“Bartolomeu, encontrei o Messias! Ele me escolheu como Seu Apóstolo! Venha

comigo, eu quero apresentá-Lo para você!”.

Desconfiado, Bartolomeu respondeu-o rispidamente: “Encontrou o Messias? Está

louco? Ainda quer me levar contigo para suas loucuras? Deixe-me em paz, tenho muito

o que fazer, homem!”.

Filipe ficou bravo com a desconfiança do amigo, mas, aceitou porque entendeu o

momento pessoal enfrentado por ele. Voltando ao Rio Jordão, onde Jesus estava com

apóstolos em uma pequenina comunidade, Filipe questionou o Mestre: “Jesus, eu tenho

alguém para indicar ao Senhor. Mas ele não me escutou. O Senhor precisa conhecê-lo,

ele é um verdadeiro homem de fé! Posso levá-lo até ele!”.

Sorrindo, Jesus levantou-se, colocou a mão no ombro direito de Filipe e

respondeu-lhe: “Eu já lhe disse. Tudo no devido tempo do Nosso Pai”.

Ainda não contente com a negativa, Filipe esperou mais alguns dias e quis tentar

outra vez com o amigo, e o jovem inquieto volta à casa de Bartolomeu para convidá-lo,

mas não o encontrou e retornou para o grupo apostólico.

Àquela época, Bartolomeu, pescador exímio, não tinha ouvidos para os Céus, a

não ser para a terra: os problemas familiares, com vizinhos e financeiros; a extrema

insegurança alimentar; tudo o desviava do caminho. Ainda assim, o pescador de Caná da

Galileia, rezava muito e pedia a intervenção incessante de Deus em sua vida mostrando-

lhe a abertura dos caminhos. Tanto que no dia em que Filipe foi ao seu encontro,

Bartolomeu estava ajoelhado em uma figueira rezando.

Numa das vezes que rezou, Bartolomeu pediu: “Deus, eu queria que o Senhor

ouvisse a mim e aos meus problemas. Sinto que minha voz não chega aos Teus ouvidos”.

Passados os dias, Jesus procurou Filipe e disse: “Filipe, a hora é chegada. Existe

alguém que você e que agradará às linhas do Nosso Pai”. Sem entender, Filipe pensava

quem seria a pessoa que Jesus havia citado, mas, sem chegar em uma conclusão, pergunta:

“Qual deles, Jesus?”.

“Nenhum desses que pensou, Filipe. Pense com o coração, não a razão e vá até

ele. Eu os aguardo aqui”, finalizou Jesus saindo de perto de Filipe, quem, horas depois,

conseguiu concluir os pensamentos: “Sim! Bartolomeu!”.

Correndo, tomou emprestado um jumento do comerciante local prometendo

devolvê-lo, e aos gritos do comerciante, Filipe saiu às pressas rumo ao amigo.

Próximo da vila, Bartolomeu ouvia gritos: “Bartolomeu! Bartolomeu!”. Era

Filipe, ofegante, em cima do animal igualmente cansado.

- Ele o escolheu! Suba e vamos!”, gritava Filipe.

Sem entender absolutamente nada a que se referia o amigo, Bartolomeu questiona:

“De onde é esse tal Messias que você afirma conhecer?”

“Nazaré”, respondeu Filipe. Prontamente, Bartolomeu se queixou: “O que há de

vir de bom de Nazaré, Filipe? Está mesmo louco!”.

“Uma chance, Bartolomeu. Se não quiser a companhia de Jesus, o amor por ti

será o mesmo. Suba e vamos, amigo”, completou Filipe estendendo a mão para o amigo,

que, mesmo não concordando, aceitou o convite e seguiu com ele, ambos no jumento, até

a cidade onde estava Jesus.

Chegando no Rio do Jordão, Filipe entregou o jumento para o comerciante, pagou-

lhe com uma moeda o empréstimo e antes mesmo de ouvir as queixas do homem, correu

com Bartolomeu para Jesus, que, vendo dois, aproximou-se deles de braços abertos e em

tom de voz alto disse a todos os presentes: “Bem-vindo, Bartolomeu!”.

Retraído, o futuro apóstolo perguntou: “Quem é Você que me conhece, sem ao

menos eu falar quem eu sou?”. E Jesus respondeu: “Deus ouviu as tuas orações,

Bartolomeu. Esta e todas as milhares outras, meu jovem queixoso”

.

Seco, Bartolomeu não segurou as lágrimas porque, mais do que se sentir ouvido,

sentiu o próprio Deus naquele momento o recebendo. Sem conseguir conter-se, abraçou

Jesus enquanto Filipe gritava entusiasmadamente: “Eu lhe disse, Bartolomeu! É Ele! O

Rei de Israel!”, seguindo-o para abraçar, ao mesmo tempo, Bartolomeu que chorava no

ombro de Jesus, e o próprio Jesus que ria carinhosamente da situação.

Jesus respondendo Filipe, afirmou: “

- Eu não sou Rei. Eu sou o leitor de todos os

livros escritos por Deus. Leio o início, o meio e o fim. Acompanho cada linha escrita por

Nosso Pai e cada letra pintada nas folhas virgens, apoiando, orientando e curando,

mesmo que nas rasuras. Sou o cumpridor dos livros e das letras”.

Após a intervenção do Mestre, Bartolomeu gritou:

“- Eu aceito!”

Após alguns minutos de silêncio e lágrimas, Jesus apresenta Bartolomeu aos

demais Apóstolos que acompanhavam tudo ao fundo, e que recebem o novo Apóstolo de

braço abertos.




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