O Chamamento de Simão Pedro e André
- Bons Espiritas - Grupo de Estudos Manoel dos Ramos

- 20 de mar. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: 8 de out. de 2025

Espírito Antônio de Nápoles, 2025.
Depois do vigésimo nono aniversário, Jesus iniciou a missão de fazer cumprir a lei de Deus e dar-lhe o verdadeiro sentido para o entendimento dos homens.
A vida missionária deu-se com o chamamento dos Apóstolos, os quais, antes mesmo do abrir os próprios olhos, já tinham sido escolhidos por Deus e pela Espiritualidade para o difícil exercício do apostolado.
Com o aceite, os Escolhidos seriam alunos do maior dos Mestres, tomar-lhe-iam como exemplo de caridade, amor e boa-conduta espírita, conviveriam com Ele, entenderiam seus ensinamentos e divulgariam, em todos os cantos dos mundos, as lições do Cristo para aquela geração e as futuras.
O chamamento iniciou-se por Simão Pedro, quem, mais velho, era mais na proporção de sua personalidade rudimentar, símbolo de bondade para com os integrantes do seu meio social. Em igual tempo, introduziu-se André, mais jovem, sinônimo de boa comunicação e que, com sua cordialidade, tinha a capacidade de contagiar multidões.
Àquele tempo, Jesus comunicava-se com Deus, todos os dias, pedindo que as nuvens fossem assopradas, as vozes dos Espíritos ouvidas e seus olhos encontrassem os Irmãos Apóstolos considerando que, pequenos vilarejos, encontrar alguém significava enxergar um grão na areia.
Deus, acolhendo os pedidos do Governante deste Orbe, entrega ao Anjo Rafael, o responsável pela legião de guerreiros angelicais, o trabalho de indicar, geograficamente, a localização de cada um dos Apóstolos.
Ele, em forma de uma grande estrela, movimentar-se-ia pelos céus, de dia e noite, dançando entre as nuvens e os astros, para, com um grande feixe de luz, mostrar ao Cristo os Escolhidos em suas cidades e residências.
Numa certa noite escura, guiado pelas Luzes de Rafael, a mando de Deus, Jesus encontrou Pedro, André e outros quatro pescadores saindo das águas próxima do vilarejo, depois de um longo dia de trabalho sem nenhum peixe ter sido pescado.
Há dias que os pescadores não levavam, para a vila, o alimento.
À distância, Jesus acompanhou a última tentativa de pesca e esperou que chegassem todos à orla para conversar com eles. Desembarcados, Jesus foi até lá e inicia a conversa com todos os pescadores. Todavia, de pronto e grosseiramente, foi interrompido, por Pedro: “Senhor, hoje não foi um dia fácil. O que o Senhor deseja de nós?”.
Compreensivo e fraternalmente, Jesus sorri e diz a todos que gostaria que voltassem às águas, com o pequeno e humilde barco antes utilizado, para mais uma tentativa de pesca porque Deus havia lhe dito que haveria fartura eterna em resposta ao chamado.
Naquele momento, os quatro pescadores riram, porque depois de tantos dias de secura, entendiam ser impossível laçar um peixe sequer, ainda mais a pedido de uma pessoa, por eles, desconhecida.
André ouvia intrigado a voz do Messias enquanto puxava a rede para a beira da água, organizando-a para finalizar o trabalho, enquanto Simão, sempre questionador, pergunta quem era Jesus para estar ali e mandar-lhes voltar às águas.
Jesus responde: “Pedro e André, vocês sabem quem eu sou, quem é o Nosso Pai e Nós sabemos quem são vocês. O Nosso Pai é um escritor de livros da vida. Eu sou o leitor de todos os seus livros. Leio o início, o meio e o fim. Acompanho cada linha escrita por Nosso Pai e cada letra pintada nas folhas virgens, apoiando, orientando e curando, mesmo que nas rasuras. Sou o cumpridor dos livros e das letras e, hoje, chamo você e seu irmão para iniciar uma nova história ao meu lado, por Ele, e por todos os Irmãos, desta e d’outras gerações”.
Pedro, incrédulo, ajoelhou-se imediatamente chorando e retrucou: “O senhor é o Messias, meu Pai! Perdão pela grosseria! Eu quero ser salvo! Eu quero escrever a história ao Teu lado”. Logo em seguida ao irmão, André também se ajoelha, começa a chorar diante de toda a situação e reafirma as palavras: “Senhor, eu também quero!”.
Jesus caminha para mais perto de André e Pedro, levanta-os, limpa o rosto de ambos e segurando as mãos bastante calejada dos dois, olha ao ombro direito de cada um deles diz aos respectivos Mentores Espirituais dos recém-apóstolos que eles já haviam cumprido a missão e, portanto, estavam dispensados daquela função.
A partir daquele momento, Simão e André haviam sido transmutados de Escolhidos para Apóstolos, e Jesus passaria a responsabilizar-se pelo alimento e pela orientação, proteção e sabedoria dos Espíritos citados, guiando-os ao cumprimento de suas obrigações.
Cumprido o contrato celestial, Pedro abraça Jesus com muita força e responde ao Messias o primeiro dos questionamentos: “Senhor, vamos às águas! Quero que saiba: não haverá peixes. Não que eu seja um pescador ruim. É que as águas já não são mais as mesmas de outrora”.
“Tenha fé, Pedro. Tenha fé”, disse Jesus enquanto caminhava para o barco.
André segura a embarcação para que Cristo subisse em segurança e pondera: “Senhor Jesus, o barco é pequeno e tem alguns furos, mas não afundará”.
Jesus replica: “André querido, o barco do Pai nunca afunda, por mais turvas e perigosas que sejam as águas”.
Embora não entendendo a parábola, após embarcar Jesus, André desembaraça e organiza a rede para a pesca, fazendo-se subir após Pedro.
Sentado à frente estava Jesus. André e Pedro, lado a lado, segurando cada um remo, atrás, olhavam-se sem acreditar que estava pescando com o Filho prometido.
A Espiritualidade nos ensina que Jesus era acompanhado por Miguel e Gabriel, os Anjos que, durante toda a jornada encarnada estiveram com Ele para acompanhá-lo, conversar, cuidar e protegê-lo, respeitando o livre-arbítrio e o caminho traçado por Deus.
Os irmãos remaram até o meio das águas em silêncio porque não sabiam como interagir com o Messias. Pedro segurava-se, firmemente, para não fazer perguntas que, em sua compreensão, seriam tolas. André, quieto, imaginava todas as perguntas que queria fazer, porém, não as fez, em respeito ao Irmão.
Jesus responde à André: “Calma André, nos próximos anos você terá todas essas respostas”, que, ouvindo, apenas engoliu as perguntas e ficou ainda mais admirado com a mediunidade messiânica.
No meio das águas, em meio à única Luz dos Céus, que era Rafael presente, Jesus ordena que a rede fosse lançada. André questiona: “Senhor, esse ponto tem muita terra e pedra, o nível da água é difícil até mesmo para nós trafegarmos, quem dirá para pescar os peixes. Não terá os peixes que o Senhor precisa”.
“Lança a rede, André, não questiona. O Nosso Pai fará saltar todos os peixes das águas. Lance!”. A palavra se fez verdade. André, antes mesmo de lançar, foi atingido por um cardume saltador. Havia peixes em todos os cantos das águas. Era um misto de gritos de entusiasmo, medo e felicidade. Os peixes saltavam e as águas mais molhavam que respingavam Jesus, André e Pedro.
Todos agiram rapidamente colocando o máximo que o barco comportava.
Eram tantos os alimentos que André começou a gritar: “Vamos afundar, Jesus!”.
Pedro estava quieto. Estava focado em pegar o maior número possível de peixes.
Contudo, de um segundo ao outro, o silêncio imperou. O barco estava farto.
Era ali a prova de que Simão Pedro e André precisavam seguir o chamado.
Voltando para a orla, André correu a tirar os peixes do barco e organizá-los em grandes cestos que haviam deixado ali para o caso de a pesca ser positiva. Gritava para chamar outros pescadores a ajudá-lo e estes, aos poucos, vinham correndo.
Jesus disse em tom de voz alto: “Sigam-me aqueles que queiram caminhar nas águas dos novos tempos. Sigam-me vocês, Simão Pedro e André, porque é você Pedro quem construirá grandes Edificações para as Moradas de Meu Pai, e é você André quem fará ouvir os bons Espíritos em uma multidão de surdos”.
Pedro, ali mesmo, em meio às pedras, ajoelhou-se dizendo “Pai, eu te sigo!”. André, desajeitado, se joga no chão e diz: “Pai, eu te sigo, mas preciso despedir-me de meus pais”.
Jesus afirma: “Vão! Vocês ouviram o Chamado! Os teus compromissos, agora, são com o Nosso Pai! Encontro vocês no centro de Cafarnaum, às 9 horas e 15 minutos do Sol do renascimento, e dali seguiremos para a viagem da vida”.
Pedro e André foram correndo para casa segurando, juntos, o cesto cheio de peixes, explicaram para suas famílias que encontraram e conversaram com o Messias e que seguiriam o chamado Dele sem pestanejar. Após a passagem da noite em conversa e explicações com os familiares, no dia seguinte, na hora, dia e local marcados, encontraram Jesus, levando consigo apenas as roupas do corpo, um pão ázimo e uma bolsa para moedas.
Jesus, ao ver a bolsa, disse: “Pedro e André, para que a bolsa de moedas se não vamos receber dinheiro? Eu já trago comigo um presente de meu pai, José, onde, o que couber, será doado, e o que não couber, não será bem-vindo”.
Pedro, sem jeito, arremessa a bolsa para longe e diz: “O que vamos comer? Como vamos nos sustentar?”. André: “Jesus, a bolsa é pequena, cabem poucas moedas porque, se muitas forem, o cobrador de impostos quererá uma parcela. Não posso mesmo ficar com ela?”.
Jesus responde já andando para que a viagem começasse: “Pedro, tuas respostas serão dadas com o tempo. Viveremos com o necessário. É do verbo que nos alimentaremos. André, solte a bolsa, eu já lhe disse”.
Pedro, sem entender, segue atrás de Jesus fazendo várias perguntas seguidas, sem respirar, entusiasmado. André, segue logo atrás ao Simão e joga a bolsa perto de uma pedra existente no caminho.
Juntos, os três, seguiram a jornada em busca dos próximos Apóstolos com sede de conhecimento.
Que assim seja.



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