É chegada a hora de trazer os céus à terra, e Deus aos homens!
- Bons Espiritas - Grupo de Estudos Manoel dos Ramos

- 28 de ago. de 2025
- 8 min de leitura
Atualizado: 8 de out. de 2025
Depois da elevação de Jesus aos Céus, Maria e João Evangelista são resgatados
por Simão Pedro, quem se incumbiu da obrigação de levá-los em segurança a casa uma
mulher convertida à discípula de Cristo.
A mulher deu-lhes estadia aos três durante as semanas que se seguiram à
Crucificação.
Escondido, Bartolomeu andando com trajes escondendo o próprio rosto, passou
em frente à residência da mulher e, como a porta estava aberta, conseguiu enxergar Pedro,
gritando assim que os encontrou: -
“Irmãos! Que bom encontrá-los bem! Vocês estavam
aqui!”.
Imediatamente ao grito, Pedro colocou Bartolomeu à força dentro da residência
e exigiu dele silêncio, lembrando-o que estavam sendo procurados pelo Império e os
líderes religiosos.
Bartolomeu, concordando com a situação e o silêncio imposto, perguntou:
“Como encontraremos os demais? O que será de nós a partir de hoje?”, com o que
concordou, quase chorando, João.
Maria, calma, acompanhando sentada o debate entre os três apóstolos, lembrou
a todos que Jesus prometeu reaparecer após a Ascensão aos Céus, no Cenáculo onde,
então, havia ocorrida a Última Ceia. Entretanto, não havia certeza, por parte dela, se todos
os Apóstolos lembrar-se-iam da ordem de Jesus de reunificação.
Em vista disto, todos passaram a pensar em como convocar os Escolhidos de
Deus para a reunião pós-passagem messiânica, quando Bartolomeu disse: “
- Eu vou!
Confiem em mim!”. E sem antes mesmo que pudessem Pedro e João pensar e concordar
com a proposição, saiu em disparada o Filho de Talmay.
O mais cético dos Apóstolos correu pelas ruas de Jerusalém, escondendo-se de
todos com vários tecidos de roupas, e pouco a pouco foi encontrando adeptos de Jesus
que os ajudaram no exercício de convocação dos outros Apóstolos, todos escondidos.
Embora parecesse intuição de Bartolomeu que se lembrava de onde alguns dos
Apóstolos estavam escondidos, a Espiritualidade agiu fortemente para guiar-lhe em meio
às várias ruas, vielas e acessos da enorme cidade de Jerusalém, em especial a tríade
angelical – Gabriel, Miguel e Rafael.
Bartolomeu conseguiu encontrar Mateus, André e o Irmão de João, Tiago Maior,
e Tadeu, dando-lhes a localização exata da casa da mulher que hospedava às escondidas
Maria, João e Pedro. Cada um, individualmente, foi à residência dela e a cada encontro,
o alívio era enorme entre os Apóstolos.
Dentre os encontros, Tadeu foi o mais emocionante. Ao chegar na residência,
bater a porta e ser colocado para dentro rapidamente, vendo Maria, Tadeu cai de joelhos
no chão, abaixa a cabeça enquanto chora e estendendo a mão a mãe de Jesus dizendo-lhe:
“Maria, permita que a sua dor faça abrigo em nosso coração. Teu filho partiu, mulher.Tua angústia não pode caminhar sozinha. Compartilha comigo! Honraremos o teu amor
por Ele, mulher!”.
Maria, fazendo-o levantar e, em pé, enxugando as lágrimas do Apóstolo choroso,
ocasião em que todos os demais já compartilhavam da tristeza, disse-lhes: “Meus filhos,
teus corações são generosos. O luto é o meu trilhar. Eu sabia, antes do nascimento, que
o meu Jesus seria o escolhido e que a Sua missão seria difícil. A memória Dele viverá
eternamente em mim, enquanto eu aqui estiver. A Cruz de Jesus foi maior do que a
madeira. Foi de amor. De entrega. É a minha vez de carregar a Cruz. A Cruz da ausência
e, ainda assim, ter a fé de que o caminho trilhado por Ele deve ser seguido por mim, por
vocês e por todos aqueles que creem em Deus”.
Intervindo, João pontua: “Sempre nos ensinando, Mãe”.
Após, passaram-se dois e duas noites, momentos em que Maria e os Apóstolos
viveram das doações dos discípulos, em quem os boatos da reunificação já haviam
chegado. O medo era constante: da descoberta, da morte, da crucificação.
Em meio a noite da passagem para o terceiro dia, Bartolomeu bate à porta e todos
ficam apreensivos. Pedro abre a porta suficientemente para enxergar o lado externo. Era
o filho de Talmay que, sorrindo, disse: “Sou eu, homem. Deixe-me entrar”. Outra vez o
Apóstolo recém-chegado foi colocado à força para dentro e, dessa vez, interpelou:
“Pedro, pare com isso. Trate-me com respeito!”. Antes mesmo de o mais velho Apóstolo
responder, Maria interveio e pediu calma aos dois.
Passaram a noite a conversar entre si, questionando o porquê da traição e
cogitando que, entre eles, houvesse outro traidor. Maria, prontamente, corrigiu o rumo da
conversa e os lembrou de que era chegada a hora de repartirem o globo terrestre e trazerem
os Céus à Terra, e Deus aos Homens. Mais do que isto, Maria lembrou-os que Jesus se
faria presente naquele dia e que todos precisariam estar presentes no Cenáculo.
Receosos, mas concordando, todos caminham para o Cenáculo, local em que
Jesus avisou os Apóstolos que apareceria com o passar dos dias. Lá, encontravam-se os
demais Apóstolos, todos haviam fugido de Jerusalém e, mais do que se lembrarem do
ajustado com o Cristo, disseram que os Espíritos denunciaram o ocorrido em seus
ouvidos, exigindo-lhe pronta viagem e presença no local.
------------------------------------------------------------------------
Após a aparição de Jesus, como se vivo fosse, em verdadeira materialização,
cujos reflexos da Crucificação transcenderam a carne e, a pedido Dele, fizeram-se
presentes em seu Espírito, os Apóstolos permaneceram em silêncio. Não sabiam como
proceder sem Jesus e para onde deveriam ir.
Tadeu, então, chama a atenção para si e diz a todos: “Maria nos espera na casa
de uma mulher, ao centro de Jerusalém. Ela deverá nos guiar nesse momento. Vamos
todos”. Não era unânime que todos andassem juntos, razão pela qual Pedro sugeriu que
fossem aos poucos – em grupos de três, disfarçados. Assim o fizeram.Por diferença de horas, os grupos chegavam na casa da mulher e os Maria os
recepcionava um-a-um. “Meu filho querido, que bom ter você”, beijando-lhes a face
direita e os abraçando por segundos, cujo tempo parecia a Eternidade da Fraternidade.
Ao chegar o último, Simão, o Zelote, Maria os fez sentar em um círculo e
chamou a atenção que era chegada o momento de divulgar tudo o quanto Jesus os ensinou,
reforçando aquilo que Ele próprio dissera horas antes, na reunião do Cenáculo.
Mateus interroga: “Mas como faremos isto, se a maioria de nós sequer tem
condições de guiar-se”. Maria responde: “Ele providenciará cada detalhe”.
André e Tiago Maior insistem: “Mãe, o mais longe que fomos, foi com Jesus;
Jesus não nos levou ao mundo, como podemos viajar o mundo?”.
Maria responde caminhando para o centro da casa: “Que mundo é este, André,
o meu orador, e Tiago, meu protetor da família, que não conheceram? O mundo já veio
até vocês e com vocês viveu três anos. Ele não os levou, eu lhes digo em verdade, pelo
caminho da pedra. Ele os levou pelo caminho da Alma, e por isto as suas Almas ouvirão
os caminhos a serem perseguidos. Ele já venceu as suas dores, ensinou-lhes sobre a
eternidade e mostrou os mistérios de Deus. Vocês já carregam o infinito em vocês. Agora,
meus filhos, é tempo de partir. Jesus os ensinou a semear esse mundo, o mundo de Deus,
nos corações. Cada canto escuto deste Orbe aguarda-os para que vocês os acendam.
Andem pelos desertos, cidades. A pé, a jumento. Com sapatos, descalços. Falem nas
praças, entrem nas casas. Falem para um ou multidões. Falem aos que não podem ouvir,
mostrem aos que não poder ver. Façam-se presentes nas Almas. Levem consigo apenas o
que precisam levar: o amor, a doação. Não se esqueçam das pequenas caixas que terão
consigo. O que lhes couber, façam disto como o próprio seu; o que não couber, doe.
Quando houver dúvida sobre qual direção deverão seguir, parem, silenciem-se suas
angústias, fechem os olhos e Jesus far-se-á presente ao teu lado. Não em corpo. Em
Espírito. Quando não houver norte, Ele será o mapa. Quando não houver chão, Ele será
a estrada”.
Não havia resposta. Apenas olhares, um para os outros.
Então, Maria que sequer tinha conhecimento especializado, indicou para onde
cada um dos Apóstolos deveria ir, e assim eles foram, no dia seguinte, no primeiro raio
solar. Despediram-se um dos outros com beijos, abraços e lágrimas. O medo era certo,
porém, as palavras de Maria estavam cravadas em seus corações e a coragem lhes era
garantida.
Um a um, a casa esvaziou-se: sobraram João e Maria. Maria segurando a mão
do pequeno Apóstolo, diz-lhe: “É chegada a hora da nova história, meu garoto”. João
apenas sorrindo, concordou com a cabeça e questiona: “Quem ouviria um jovem a falar
de Jesus, Mãe?”. Maria: “Um grande evangelista, como você, saberá. Acalma teu
coração e aceita a sua missão. Nós vamos para Éfeso, na Turquia, e lá será o nosso
partir”, ocasião em que Maria sentiu uma forte energia tomar-lhe o corpo, a alma e o
coração. Intimamente e sorrindo, Maria disse: “És tu, meu filho. Sinto-me como se
presente está. Teus mandamentos serão cumpridos”, e a energia dissipou-se.Com uma trouxa de pão duro e uma garrafa de água, saíram João e Maria após
agradecerem a mulher por todo o tempo de estadia. As horas passaram. O dia tornou-se
noite. A noite, dia. E assim passaram-se os dias. O pão acabou. A água, agora, era apenas
um conjunto de gotas.
Ambos já não aguentavam as dores de tamanha caminhada. A distância era
desproporcional aos corpos famintos e o sol era verdadeiro inimigo dos desprotegidos.
João, sem aguentar, senta-se em uma pedra e diz: “Maria, não aguentarei. Vamos
voltar. Jesus entenderá e providenciará uma caravana”. Maria, em pé, firmemente
corrige o Apóstolo: “Apronta-se, eu lhe disse que Jesus providenciará. Não é dado a nós
o direito de desistir”.
Os anjos Gabriel e Miguel, tudo viam e acompanhavam de perto Maria e João,
dando-lhes suporte e minimizando as dores do Corpo.
Ao final da fala de Maria, ao fundo, ouviu-se o som de cavalos em disparada.
João levantou-se rapidamente com receio de ser centuriões do Império Romano em busca
deles. Até certo momento, João escondeu-se atrás de Maria, que, suavemente, mesmo que
com receio íntimo, aguardava a chegada. “Acalma-te, João”, disse Ela.
Quando os homens em cavalos chegam próximo, toda a caravana para. Eram
comerciantes que levavam produtos de Jerusalém para, hoje, a Turquia e, de lá, para as
Índias. O da frente, então, desce do cavalo e diz em um tom de voz que demonstrava
afinidade: “Maria, a mãe de Jesus!”.
Se antes João estava com medo, agora, para ele, a morte era certa. Dentro de si,
o jovem dizia: “Jesus, tenha de mim Misericórdia”. Já Maria, pergunta: “Quem é você,
homem, que conhece a mim e ao meu filho?”.
O homem, tirando o chapéu, afirma: “Sou o homem que Jesus tratou. Sou o servo
de Deus que presenciou o Filho e a própria família curarem-se pelas palavras. O médico
das Almas entregou
Foram as lições dele que me tornaram presente, a minha esposa responsável e
deu felicidade ao meu filho. Sou o pai de Jeronimo. Sou a prova viva dos Desígnios de
Deus”.
Maria sabia que foi Jesus quem colocou aquele homem ali.
E ele continua: “É a primeira viagem de nossa caravana após longo tempo de
descanso. Estamos a caminho de Éfeso. Dariam vocês a nós a honra de tê-los nessa
caminhada?”. Sem antes mesmo de Maria concordar, João foi para o fundo da caravana
correndo. E o homem finaliza: “Existe uma carroça, ao fundo, onde podem ficar. Há água
e comida abundantemente para a viagem. Deem a nós a oportunidade de ter vocês
conosco”. Maria concordou e João já estava deitado na carroça.
Assim a caravana partiu para Éfeso.Chegando lá, sem antes mesmo de descansar, João, entusiasmado com a
oportunidade de iniciar a evangelizar, subiu em uma pedra e passou a dizer a todos, que
sequer estavam ouvindo-o, sobre o Rei de Israel.
Todavia, um comerciante ao lado do local onde João pregava, disse: “Desça daí,
garoto. Vá embora daqui, está atrapalhando minhas vendas”.
Maria, vendo aquilo, advertiu João de que não poderia ele falar, em outro canto
do globo, sobre quem era Jesus. Ensinou Maria: “João, não é preciso que as pessoas
conheçam Jesus para o evangelho florescer. Evangelizar não é falar de Jesus. É viver
como Ele viveu. Ensine sobre os exemplos: a misericórdia, a escuta, a doação. Fale das
parábolas. É isto que transformará os corações das pessoas”.
Enquanto Maria falava, João descia da pedra e, tentando entender como faria
para aplicar os ensinamentos da Mãe, caminhou com ela até um local que o homem da
caravana havia indicado como sendo possível que se estabelecessem.




Comentários