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É chegada a hora de trazer os céus à terra, e Deus aos homens!

Atualizado: 8 de out. de 2025


Depois da elevação de Jesus aos Céus, Maria e João Evangelista são resgatados

por Simão Pedro, quem se incumbiu da obrigação de levá-los em segurança a casa uma

mulher convertida à discípula de Cristo.

A mulher deu-lhes estadia aos três durante as semanas que se seguiram à

Crucificação.

Escondido, Bartolomeu andando com trajes escondendo o próprio rosto, passou

em frente à residência da mulher e, como a porta estava aberta, conseguiu enxergar Pedro,

gritando assim que os encontrou: -

Irmãos! Que bom encontrá-los bem! Vocês estavam

aqui!”.

Imediatamente ao grito, Pedro colocou Bartolomeu à força dentro da residência

e exigiu dele silêncio, lembrando-o que estavam sendo procurados pelo Império e os

líderes religiosos.

Bartolomeu, concordando com a situação e o silêncio imposto, perguntou:

“Como encontraremos os demais? O que será de nós a partir de hoje?”, com o que

concordou, quase chorando, João.

Maria, calma, acompanhando sentada o debate entre os três apóstolos, lembrou

a todos que Jesus prometeu reaparecer após a Ascensão aos Céus, no Cenáculo onde,

então, havia ocorrida a Última Ceia. Entretanto, não havia certeza, por parte dela, se todos

os Apóstolos lembrar-se-iam da ordem de Jesus de reunificação.

Em vista disto, todos passaram a pensar em como convocar os Escolhidos de

Deus para a reunião pós-passagem messiânica, quando Bartolomeu disse:

- Eu vou!

Confiem em mim!”. E sem antes mesmo que pudessem Pedro e João pensar e concordar

com a proposição, saiu em disparada o Filho de Talmay.

O mais cético dos Apóstolos correu pelas ruas de Jerusalém, escondendo-se de

todos com vários tecidos de roupas, e pouco a pouco foi encontrando adeptos de Jesus

que os ajudaram no exercício de convocação dos outros Apóstolos, todos escondidos.

Embora parecesse intuição de Bartolomeu que se lembrava de onde alguns dos

Apóstolos estavam escondidos, a Espiritualidade agiu fortemente para guiar-lhe em meio

às várias ruas, vielas e acessos da enorme cidade de Jerusalém, em especial a tríade

angelical – Gabriel, Miguel e Rafael.

Bartolomeu conseguiu encontrar Mateus, André e o Irmão de João, Tiago Maior,

e Tadeu, dando-lhes a localização exata da casa da mulher que hospedava às escondidas

Maria, João e Pedro. Cada um, individualmente, foi à residência dela e a cada encontro,

o alívio era enorme entre os Apóstolos.

Dentre os encontros, Tadeu foi o mais emocionante. Ao chegar na residência,

bater a porta e ser colocado para dentro rapidamente, vendo Maria, Tadeu cai de joelhos

no chão, abaixa a cabeça enquanto chora e estendendo a mão a mãe de Jesus dizendo-lhe:

“Maria, permita que a sua dor faça abrigo em nosso coração. Teu filho partiu, mulher.Tua angústia não pode caminhar sozinha. Compartilha comigo! Honraremos o teu amor

por Ele, mulher!”.

Maria, fazendo-o levantar e, em pé, enxugando as lágrimas do Apóstolo choroso,

ocasião em que todos os demais já compartilhavam da tristeza, disse-lhes: “Meus filhos,

teus corações são generosos. O luto é o meu trilhar. Eu sabia, antes do nascimento, que

o meu Jesus seria o escolhido e que a Sua missão seria difícil. A memória Dele viverá

eternamente em mim, enquanto eu aqui estiver. A Cruz de Jesus foi maior do que a

madeira. Foi de amor. De entrega. É a minha vez de carregar a Cruz. A Cruz da ausência

e, ainda assim, ter a fé de que o caminho trilhado por Ele deve ser seguido por mim, por

vocês e por todos aqueles que creem em Deus”.

Intervindo, João pontua: “Sempre nos ensinando, Mãe”.

Após, passaram-se dois e duas noites, momentos em que Maria e os Apóstolos

viveram das doações dos discípulos, em quem os boatos da reunificação já haviam

chegado. O medo era constante: da descoberta, da morte, da crucificação.

Em meio a noite da passagem para o terceiro dia, Bartolomeu bate à porta e todos

ficam apreensivos. Pedro abre a porta suficientemente para enxergar o lado externo. Era

o filho de Talmay que, sorrindo, disse: “Sou eu, homem. Deixe-me entrar”. Outra vez o

Apóstolo recém-chegado foi colocado à força para dentro e, dessa vez, interpelou:

“Pedro, pare com isso. Trate-me com respeito!”. Antes mesmo de o mais velho Apóstolo

responder, Maria interveio e pediu calma aos dois.

Passaram a noite a conversar entre si, questionando o porquê da traição e

cogitando que, entre eles, houvesse outro traidor. Maria, prontamente, corrigiu o rumo da

conversa e os lembrou de que era chegada a hora de repartirem o globo terrestre e trazerem

os Céus à Terra, e Deus aos Homens. Mais do que isto, Maria lembrou-os que Jesus se

faria presente naquele dia e que todos precisariam estar presentes no Cenáculo.

Receosos, mas concordando, todos caminham para o Cenáculo, local em que

Jesus avisou os Apóstolos que apareceria com o passar dos dias. Lá, encontravam-se os

demais Apóstolos, todos haviam fugido de Jerusalém e, mais do que se lembrarem do

ajustado com o Cristo, disseram que os Espíritos denunciaram o ocorrido em seus

ouvidos, exigindo-lhe pronta viagem e presença no local.

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Após a aparição de Jesus, como se vivo fosse, em verdadeira materialização,

cujos reflexos da Crucificação transcenderam a carne e, a pedido Dele, fizeram-se

presentes em seu Espírito, os Apóstolos permaneceram em silêncio. Não sabiam como

proceder sem Jesus e para onde deveriam ir.

Tadeu, então, chama a atenção para si e diz a todos: “Maria nos espera na casa

de uma mulher, ao centro de Jerusalém. Ela deverá nos guiar nesse momento. Vamos

todos”. Não era unânime que todos andassem juntos, razão pela qual Pedro sugeriu que

fossem aos poucos – em grupos de três, disfarçados. Assim o fizeram.Por diferença de horas, os grupos chegavam na casa da mulher e os Maria os

recepcionava um-a-um. “Meu filho querido, que bom ter você”, beijando-lhes a face

direita e os abraçando por segundos, cujo tempo parecia a Eternidade da Fraternidade.

Ao chegar o último, Simão, o Zelote, Maria os fez sentar em um círculo e

chamou a atenção que era chegada o momento de divulgar tudo o quanto Jesus os ensinou,

reforçando aquilo que Ele próprio dissera horas antes, na reunião do Cenáculo.

Mateus interroga: “Mas como faremos isto, se a maioria de nós sequer tem

condições de guiar-se”. Maria responde: “Ele providenciará cada detalhe”.

André e Tiago Maior insistem: “Mãe, o mais longe que fomos, foi com Jesus;

Jesus não nos levou ao mundo, como podemos viajar o mundo?”.

Maria responde caminhando para o centro da casa: “Que mundo é este, André,

o meu orador, e Tiago, meu protetor da família, que não conheceram? O mundo já veio

até vocês e com vocês viveu três anos. Ele não os levou, eu lhes digo em verdade, pelo

caminho da pedra. Ele os levou pelo caminho da Alma, e por isto as suas Almas ouvirão

os caminhos a serem perseguidos. Ele já venceu as suas dores, ensinou-lhes sobre a

eternidade e mostrou os mistérios de Deus. Vocês já carregam o infinito em vocês. Agora,

meus filhos, é tempo de partir. Jesus os ensinou a semear esse mundo, o mundo de Deus,

nos corações. Cada canto escuto deste Orbe aguarda-os para que vocês os acendam.

Andem pelos desertos, cidades. A pé, a jumento. Com sapatos, descalços. Falem nas

praças, entrem nas casas. Falem para um ou multidões. Falem aos que não podem ouvir,

mostrem aos que não poder ver. Façam-se presentes nas Almas. Levem consigo apenas o

que precisam levar: o amor, a doação. Não se esqueçam das pequenas caixas que terão

consigo. O que lhes couber, façam disto como o próprio seu; o que não couber, doe.

Quando houver dúvida sobre qual direção deverão seguir, parem, silenciem-se suas

angústias, fechem os olhos e Jesus far-se-á presente ao teu lado. Não em corpo. Em

Espírito. Quando não houver norte, Ele será o mapa. Quando não houver chão, Ele será

a estrada”.

Não havia resposta. Apenas olhares, um para os outros.

Então, Maria que sequer tinha conhecimento especializado, indicou para onde

cada um dos Apóstolos deveria ir, e assim eles foram, no dia seguinte, no primeiro raio

solar. Despediram-se um dos outros com beijos, abraços e lágrimas. O medo era certo,

porém, as palavras de Maria estavam cravadas em seus corações e a coragem lhes era

garantida.

Um a um, a casa esvaziou-se: sobraram João e Maria. Maria segurando a mão

do pequeno Apóstolo, diz-lhe: “É chegada a hora da nova história, meu garoto”. João

apenas sorrindo, concordou com a cabeça e questiona: “Quem ouviria um jovem a falar

de Jesus, Mãe?”. Maria: “Um grande evangelista, como você, saberá. Acalma teu

coração e aceita a sua missão. Nós vamos para Éfeso, na Turquia, e lá será o nosso

partir”, ocasião em que Maria sentiu uma forte energia tomar-lhe o corpo, a alma e o

coração. Intimamente e sorrindo, Maria disse: “És tu, meu filho. Sinto-me como se

presente está. Teus mandamentos serão cumpridos”, e a energia dissipou-se.Com uma trouxa de pão duro e uma garrafa de água, saíram João e Maria após

agradecerem a mulher por todo o tempo de estadia. As horas passaram. O dia tornou-se

noite. A noite, dia. E assim passaram-se os dias. O pão acabou. A água, agora, era apenas

um conjunto de gotas.

Ambos já não aguentavam as dores de tamanha caminhada. A distância era

desproporcional aos corpos famintos e o sol era verdadeiro inimigo dos desprotegidos.

João, sem aguentar, senta-se em uma pedra e diz: “Maria, não aguentarei. Vamos

voltar. Jesus entenderá e providenciará uma caravana”. Maria, em pé, firmemente

corrige o Apóstolo: “Apronta-se, eu lhe disse que Jesus providenciará. Não é dado a nós

o direito de desistir”.

Os anjos Gabriel e Miguel, tudo viam e acompanhavam de perto Maria e João,

dando-lhes suporte e minimizando as dores do Corpo.

Ao final da fala de Maria, ao fundo, ouviu-se o som de cavalos em disparada.

João levantou-se rapidamente com receio de ser centuriões do Império Romano em busca

deles. Até certo momento, João escondeu-se atrás de Maria, que, suavemente, mesmo que

com receio íntimo, aguardava a chegada. “Acalma-te, João”, disse Ela.

Quando os homens em cavalos chegam próximo, toda a caravana para. Eram

comerciantes que levavam produtos de Jerusalém para, hoje, a Turquia e, de lá, para as

Índias. O da frente, então, desce do cavalo e diz em um tom de voz que demonstrava

afinidade: “Maria, a mãe de Jesus!”.

Se antes João estava com medo, agora, para ele, a morte era certa. Dentro de si,

o jovem dizia: “Jesus, tenha de mim Misericórdia”. Já Maria, pergunta: “Quem é você,

homem, que conhece a mim e ao meu filho?”.

O homem, tirando o chapéu, afirma: “Sou o homem que Jesus tratou. Sou o servo

de Deus que presenciou o Filho e a própria família curarem-se pelas palavras. O médico

das Almas entregou

Foram as lições dele que me tornaram presente, a minha esposa responsável e

deu felicidade ao meu filho. Sou o pai de Jeronimo. Sou a prova viva dos Desígnios de

Deus”.

Maria sabia que foi Jesus quem colocou aquele homem ali.

E ele continua: “É a primeira viagem de nossa caravana após longo tempo de

descanso. Estamos a caminho de Éfeso. Dariam vocês a nós a honra de tê-los nessa

caminhada?”. Sem antes mesmo de Maria concordar, João foi para o fundo da caravana

correndo. E o homem finaliza: “Existe uma carroça, ao fundo, onde podem ficar. Há água

e comida abundantemente para a viagem. Deem a nós a oportunidade de ter vocês

conosco”. Maria concordou e João já estava deitado na carroça.

Assim a caravana partiu para Éfeso.Chegando lá, sem antes mesmo de descansar, João, entusiasmado com a

oportunidade de iniciar a evangelizar, subiu em uma pedra e passou a dizer a todos, que

sequer estavam ouvindo-o, sobre o Rei de Israel.

Todavia, um comerciante ao lado do local onde João pregava, disse: “Desça daí,

garoto. Vá embora daqui, está atrapalhando minhas vendas”.

Maria, vendo aquilo, advertiu João de que não poderia ele falar, em outro canto

do globo, sobre quem era Jesus. Ensinou Maria: “João, não é preciso que as pessoas

conheçam Jesus para o evangelho florescer. Evangelizar não é falar de Jesus. É viver

como Ele viveu. Ensine sobre os exemplos: a misericórdia, a escuta, a doação. Fale das

parábolas. É isto que transformará os corações das pessoas”.

Enquanto Maria falava, João descia da pedra e, tentando entender como faria

para aplicar os ensinamentos da Mãe, caminhou com ela até um local que o homem da

caravana havia indicado como sendo possível que se estabelecessem.



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